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Quem paga imposto no Brasil é o pobre. Sim, ele tem direito a receber em troca

  Quem paga imposto no Brasil é o pobre. Sim, ele tem direito a receber em troca   Uma das maiores mentiras que são postas na Economia Brasileira, é aquela que diz assim: eu pago meus impostos em dia e exijo. Muitas vezes essa frase é usada para ofender servidores públicos, políticos, etc. Ao longo dos meus 43 anos de serviço público, presenciei essa frase, tal como uma que é ainda pior, “eu pago o seu salário”. No começo, ainda tomado pela falta de freios sociais, eu reagia gritando mesmo, quem paga meu salário sou eu, trabalhando, minha força de trabalho que pode reclamar. Ao longo dos anos eu passei a separar as pessoas que proferiam essa frase, e à proporção que fui fazendo minha mobilidade social, passei a conviver com gente que sonegava mais do que pagava. Estas pessoas sempre foram as que mais usavam as frases. Finalmente, quem paga imposto no Brasil? Primeiro, lembrar que nem imposto é tributo, mas nem todo tributo é imposto. Tributo é gênero, enquanto imposto ...

Saúde em Feira de Santana: muito investimento, antigos gargalos, um sistema à beira do colapso.

  Saúde em Feira de Santana: muito investimento, antigos gargalos, um sistema à beira do colapso. A saúde pública em Feira de Santana enfrenta um paradoxo. Por um lado, o município recebe assistência substancial dos governos federal e estadual, na forma de novos projetos, equipamentos modernos e programas em expansão. Por outro lado, problemas antigos persistem, impactando a vida diária da população de várias maneiras: filas, falta de acesso a especialistas, unidades de atendimento de emergência sobrecarregadas e a incapacidade de coordenação entre as autoridades envolvidas dos entes federativos O cenário em 2025 é de transição de um ponto a outro, com avanços pontuais e dificuldades estruturais ainda longe de um ponto final absoluto, em que a população que depende do serviço público padece e muitas vezes morrendo aos poucos onde deveria se curar. O funcionamento do sistema de saúde local ilustra a lógica do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a responsabilidade centralizada pel...

Pequena Burguesia no Brasil: Contradições de Classe e Instabilidade no Capitalismo Periférico

  Pequena Burguesia no Brasil: Contradições de Classe e Instabilidade no Capitalismo Periférico   Comumente, o termo pequeno-burguês é usado de forma vaga na teoria marxista. As pessoas geralmente se limitam à renda, consumo e comportamentos culturais. Mas, para o marxismo, tal categoria tem sido tratada com um significado mais estrito e preciso, diretamente relacionado à posição que um indivíduo ocupa dentro das relações capitalistas de produção. A pequena burguesia, se seguirmos a teoria marxista, é composta por aqueles que possuem meios de produção em pequena escala e, ao mesmo tempo, conduzem seu trabalho diretamente neles. Ele não depende apenas da venda de sua força de trabalho, como faz o trabalhador assalariado, e, ao contrário do capitalista, não está inerentemente situado em uma situação de exploração sistêmica do trabalho dos outros. Portanto, é uma posição intermediária entre o proletariado e a burguesia. Poder se afirmar que sem o seu trabalho, ele não tem as ...

Projeto antifacção: especialistas alertam para riscos jurídicos, institucionais e operacionais no combate ao crime organizado

  O avanço do chamado Projeto Antifacção no Congresso Nacional reacendeu o debate sobre a capacidade do Estado brasileiro de enfrentar o crime organizado em um cenário de crescente complexidade das facções e de expansão territorial das milícias. Críticos da proposta, entre eles juristas, pesquisadores em segurança pública e analistas institucionais, apontam que o texto altera dispositivos centrais da legislação penal e processual, produzindo efeitos que, na prática, podem reduzir a eficácia das investigações, enfraquecer a atuação das polícias e criar brechas jurídicas capazes de beneficiar organizações criminosas. A análise mais recorrente afirma que o projeto introduz mudanças que restringem operações de inteligência, limitam o uso de instrumentos de investigação e criam exigências adicionais para ações policiais, o que pode “engessar” a Polícia Federal e órgãos estaduais. Jornalistas como Luís Nassif, em artigo que repercutiu amplamente, classificam o projeto como uma “blindagem...

A gente precisa de uma Reforma Administrativa, sim. Mas que beneficie a população.

  A gente precisa de uma Reforma Administrativa, sim. Mas que beneficie a população. Antonio Rosevaldo Ferreira da Silva Tal qual Jason, personagem de Sexta-Feira 13 , a proposta de uma Reforma Administrativa sempre volta para atormentar os servidores públicos e a população que necessita utilizar o Estado. Sempre nasce da cabeça de um partido composto, em sua maioria, por pessoas que tentam usar o Estado a seu favor. Usam reiteradamente o discurso da modernização da máquina pública e de que o Estado está inchado. Quase sempre ouço esse mantra vindo de membros da classe trabalhadora que defendem o neoliberalismo, inclusive afirmando que “são conservadores nos costumes e liberais na economia”. Coisa mais ridícula não há. Comparar costumes com economia é comparar alho não com bugalhos, mas com um elefante. Pois são esses que defendem a Reforma Administrativa, representada atualmente pela PEC 38. Eu prefiro resumir quem adora essa posição com a figura da barata, dizendo ser necessário ...

A Mobilidade Urbana na Ótica Marxista: Reflexões sobre a Produção do Espaço e as Desigualdades de Classe

  A Mobilidade Urbana na Ótica Marxista: Reflexões sobre a Produção do Espaço e as Desigualdades de Classe ​ ​Este artigo explora a relação entre a teoria de Karl Marx e a mobilidade urbana, argumentando que os conceitos marxistas de divisão de classes, produção do espaço e mercantilização são ferramentas analíticas essenciais para compreender as dinâmicas de deslocamento nas cidades capitalistas. O texto discute como o espaço urbano é estruturado para atender aos interesses do capital, resultando em segregação residencial e em deslocamentos diários onerosos para a classe trabalhadora. A mobilidade, nesse contexto, é analisada não como um problema técnico, mas como uma manifestação direta das contradições de classe, onde o transporte se torna uma mercadoria e um custo de reprodução da força de trabalho. ​A mobilidade urbana é um tema central nas discussões contemporâneas sobre o desenvolvimento das cidades, abordado sob perspectivas que variam da enge...

A Indústria da Doença e a Saúde em Disputa no Brasil

  O Brasil vive uma encruzilhada histórica na saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS), construído a partir da mobilização popular e inscrito na Constituição de 1988 como direito universal, tornou-se referência mundial pela vacinação em massa, pela distribuição de medicamentos de alto custo e pelo atendimento emergencial gratuito. Mas, ao mesmo tempo, cresce o poder do complexo médico-industrial/financeiro, formado por laboratórios, hospitais privados, planos de saúde e fundos de investimento que veem a saúde como um setor altamente lucrativo. Cada vez mais, se aumentam os custos com a saúde e pessoas começam a ficar excluídas de um atendimento eficaz, submetidas a ótica da mercantilização de suas vidas. O país ocupa hoje a posição de sétimo maior mercado farmacêutico do mundo, segundo dados da Interfarma (2023), com um faturamento anual que ultrapassa R$ 130 bilhões. Grande parte desse valor vem de medicamentos de uso contínuo, voltados a doenças crônicas como hipertensão, diabetes...