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Crônicas Feirenses 2: academia, espaço de Narciso, impressões de um iniciante

    Crônicas Feirenses 2: academia, espaço de Narciso, impressões de um iniciante Desde que eu desfilava meu futebol pelos campos da Estação Nova, fui contra atividade física — que o digam todos os meus treinadores, todos os meus professores de Educação Física. E aqui vale lembrar: Manteiga, Fialho, João Arthur e Torres, que estiveram comigo desde a adolescência. Treinadores, vale aqui Nelson, do Treze, Babau, Zé Pequeno, Rogério Santana, todos me cobrando mais atividade física. Eu sempre fugindo. Com Nelson já era um dilema: ele me acordava e eu botava a cara na janela e, com voz rouca, dizia que estava com febre. Com Babau, em toda parte física me batia uma vontade de cagar, e eu ia para o mato e esperava terminar toda atividade. Com João Arthur, para fugir da atividade, me matriculei na aula de vôlei — eu, baixinho, imagina aí? Eu me escondia no banheiro e, quando começava o treino, me picava na bike. Meu lance era futebol. Todos me puniram, e não vou contar agora. O fo...

cronicas feirenses 1: Caminhando pelo Centro da Cidade

  Crônicas Feirenses Caminhando pelo Centro da Cidade Segunda Feira sempre é um dia movimentado na cidade de Feira de Santana, mas naquela manhã eu havia sido convidado pela Tv Subaé a fazer uma fala em uma matéria sobre preços das hortaliças folhosas. Sempre que vou demorar no centro, eu vou de aplicativo, pois desembolso ida e volta, cerca de R$15,00. Deixar meu carro num estacionamento, pagaria no mínimo R$ 18,00, mais gasolina, pneu, etc. Por outro lado, gosto de sempre que possível, conversar com o motorista sobre sua vida sob plataforma. Tenho aprendido bastante com essa galera. Qual é mano? Professor é quem tem mais de aprender. Dito isto, fui avisado por telefone que a equipe iria demorar uns 40 minutos, daí que sentei ali na praça da Bandeira e fiquei olhando o movimento das pessoas. O vai e vem lento de quem tinha alguma coisa a resolver, nada apressado, como gosta o feirense. Fui no Predileto e pedi uma vitamina de frutas com beterraba, duas esfirras de carne, uma ...

O Chinelo e o Inseticida: a tragédia argentina e o preço de renegar a própria história

O Chinelo e o Inseticida: a tragédia argentina e o preço de renegar a própria história Por que a classe trabalhadora, ao virar as costas para suas tradições de luta, acaba elegendo quem a destrói?     No dia 11 de fevereiro de 2026, o Senado da Argentina aprovou, sob forte repressão policial, a Reforma Trabalhista do governo Javier Milei. Mais de trezentos manifestantes ficaram feridos. Setenta foram detidos. Do lado de fora do Congresso, docentes, sindicalistas e movimentos sociais gritavam contra o afrouxamento das contratações, a redução das indenizações, o fracionamento das férias e a criminalização do direito de greve. Do lado de dentro, 42 senadores diziam sim a um projeto que, segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), representa o maior retrocesso social desde a redemocratização. A cena é de uma violência imperdoável. Mas talvez a “imagem” mais forte para compreendê-la não esteja nos números de feridos, nem nos discursos parlamentares. Talvez esteja numa...

“Tarifa Técnica e Tarifa Pública no Transporte Urbano: Inconsistências, Subsídios e Transparência no Caso de Feira de Santana”

  “Tarifa Técnica e Tarifa Pública no Transporte Urbano: Inconsistências, Subsídios e Transparência no Caso de Feira de Santana” No âmbito da economia dos transportes, a distinção entre tarifa técnica e tarifa pública constitui elemento central para a compreensão da estrutura de financiamento dos sistemas de transporte coletivo urbano. Esses dois conceitos expressam lógicas distintas, uma de natureza econômico-contratual e outra de caráter político-social, cuja interação define o equilíbrio entre sustentabilidade operacional e acessibilidade ao serviço. A principal base legal em âmbito federal no Brasil que define e distingue os conceitos relacionados à tarifa no transporte público urbano — incluindo o que chamamos de tarifa técnica (tarifa de remuneração) e tarifa pública — é a Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). A tarifa técnica, também denominada tarifa de remuneração, corresponde ao valor necessário para as...

Quem paga imposto no Brasil é o pobre. Sim, ele tem direito a receber em troca

  Quem paga imposto no Brasil é o pobre. Sim, ele tem direito a receber em troca   Uma das maiores mentiras que são postas na Economia Brasileira, é aquela que diz assim: eu pago meus impostos em dia e exijo. Muitas vezes essa frase é usada para ofender servidores públicos, políticos, etc. Ao longo dos meus 43 anos de serviço público, presenciei essa frase, tal como uma que é ainda pior, “eu pago o seu salário”. No começo, ainda tomado pela falta de freios sociais, eu reagia gritando mesmo, quem paga meu salário sou eu, trabalhando, minha força de trabalho que pode reclamar. Ao longo dos anos eu passei a separar as pessoas que proferiam essa frase, e à proporção que fui fazendo minha mobilidade social, passei a conviver com gente que sonegava mais do que pagava. Estas pessoas sempre foram as que mais usavam as frases. Finalmente, quem paga imposto no Brasil? Primeiro, lembrar que nem imposto é tributo, mas nem todo tributo é imposto. Tributo é gênero, enquanto imposto ...

Saúde em Feira de Santana: muito investimento, antigos gargalos, um sistema à beira do colapso.

  Saúde em Feira de Santana: muito investimento, antigos gargalos, um sistema à beira do colapso. A saúde pública em Feira de Santana enfrenta um paradoxo. Por um lado, o município recebe assistência substancial dos governos federal e estadual, na forma de novos projetos, equipamentos modernos e programas em expansão. Por outro lado, problemas antigos persistem, impactando a vida diária da população de várias maneiras: filas, falta de acesso a especialistas, unidades de atendimento de emergência sobrecarregadas e a incapacidade de coordenação entre as autoridades envolvidas dos entes federativos O cenário em 2025 é de transição de um ponto a outro, com avanços pontuais e dificuldades estruturais ainda longe de um ponto final absoluto, em que a população que depende do serviço público padece e muitas vezes morrendo aos poucos onde deveria se curar. O funcionamento do sistema de saúde local ilustra a lógica do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a responsabilidade centralizada pel...

Pequena Burguesia no Brasil: Contradições de Classe e Instabilidade no Capitalismo Periférico

  Pequena Burguesia no Brasil: Contradições de Classe e Instabilidade no Capitalismo Periférico   Comumente, o termo pequeno-burguês é usado de forma vaga na teoria marxista. As pessoas geralmente se limitam à renda, consumo e comportamentos culturais. Mas, para o marxismo, tal categoria tem sido tratada com um significado mais estrito e preciso, diretamente relacionado à posição que um indivíduo ocupa dentro das relações capitalistas de produção. A pequena burguesia, se seguirmos a teoria marxista, é composta por aqueles que possuem meios de produção em pequena escala e, ao mesmo tempo, conduzem seu trabalho diretamente neles. Ele não depende apenas da venda de sua força de trabalho, como faz o trabalhador assalariado, e, ao contrário do capitalista, não está inerentemente situado em uma situação de exploração sistêmica do trabalho dos outros. Portanto, é uma posição intermediária entre o proletariado e a burguesia. Poder se afirmar que sem o seu trabalho, ele não tem as ...