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E agora, Copom? Sobe, desce ou arrega a Selic?

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E agora, Copom? Sobe, desce ou arrega a Selic? Antonio Rosevaldo F. da Silva O IPCA-15 despencou em julho. Quem apontava o caos inflacionário para o mês teve de receber, em cheio, um índice de apenas 0,06%. Depois da pancada de 0,41% em junho, a desaceleração foi um verdadeiro aleluia. Não se trata apenas de uma diferença de 0,35 ponto percentual entre um mês e outro, mas de uma mudança significativa na velocidade de crescimento dos preços. Em economia, essa distinção é fundamental: uma coisa é a inflação permanecer positiva; outra, completamente diferente, é a taxa de inflação estar desacelerando. Foi exatamente isso que aconteceu em julho. O resultado também merece ser confrontado com as previsões mais pessimistas que circulavam antes da divulgação do índice. Quando as expectativas apontam para uma inflação muito superior àquela efetivamente observada, ocorre uma espécie de erro de previsão, que não é apenas uma curiosidade estatística. Expectativas de inflação influenciam decisões...

Tarifa contra o Brasil: quando a política substitui a racionalidade econômica

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Tarifa contra o Brasil: quando a política substitui a racionalidade econômica A decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras representa um dos episódios mais delicados das relações bilaterais nas últimas décadas. Embora a medida tenha sido formalmente fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a justificativa econômica apresentada por Washington revela fragilidades que tornam inevitável não acreditar em uso político do episódio. A investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aponta supostas práticas brasileiras que restringiriam a competitividade de empresas americanas. Entre elas estão o sistema de pagamentos PIX, regras sobre o comércio de etanol, questões relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal. No entanto, a abrangência dos argumentos utilizados e a ausência de um desequilíbrio comercial significativo...

MEI: ampliar o teto é uma boa ideia, mas dois empregados fazem sentido?

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MEI: ampliar o teto é uma boa ideia, mas dois empregados fazem sentido? Antonio Rosevaldo Ferreira da Silva Professor do curso de Economia da UEFS Criada no Brasil em 2008, o Microempreendedor Individual (MEI) é uma categoria empresarial para legalizar trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores. A principal intenção do MEI é simplificar a legalização de negócios de pequeno porte, permitindo que os empreendedores tenham acesso a benefícios e direitos que vêm com a formalização. A intenção é inserir os microempreendedores no mundo legal, para que possam desfrutar dos seus benefícios. O MEI pode exercer diversas atividades, desde comércio até prestação de serviços, mas há restrições em algumas áreas, como profissões regulamentadas (ex: médicos, advogados). É permitido ter apenas um empregado registrado, que deve receber um salário mínimo ou o piso da categoria. Ao se formalizar, o MEI tem acesso a benefícios como auxílio-maternidade, aposentadoria por idade e outros direitos ...

A Ilusão da Bomba: Por que o preço do combustível sobe como foguete, mas só aceita descer de escada a passo de tartaruga?

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A Ilusão da Bomba: Por que o preço do combustível sobe como foguete, mas só aceita descer de escada a passo de tartaruga? Antonio Rosevaldo Ferreira da Silva Professor de Economia da UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana Preço do etanol em queda, preço do barril de petróleo brent em queda, câmbio estável, por que os preços dos combustíveis derivados de petróleo não caem? O Petróleo Brent é, basicamente, nada mais é que a referência mundial para o preço do petróleo. Quando você liga o rádio, a TV ou abre um site de notícias e ouve que "o barril de petróleo caiu para US$ 75", quase sempre estão falando do Brent. Originalmente, o Brent é o petróleo extraído de uma região de campos de petróleo no Mar do Norte (entre a Europa e o Reino Unido). O nome "Brent" vem de um campo específico descoberto pela Shell na década de 1970 (e, curiosamente, a empresa batizava seus campos com nomes de aves marinhas; Brent Goose é o ganso-gordo). Hoje, ele engloba a mi...

Inflação corrói margens e desafia sobrevivência das pequenas e médias empresas

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Inflação corrói margens e desafia sobrevivência das pequenas e médias empresas Por Antônio Rosevaldo Ferreira da Silva O espectro da inflação voltou a botar pressão no desempenho das pequenas e médias empresas brasileiras. Embora diversos indicadores apontem crescimento do faturamento nominal em vários setores, empresários enfrentam uma realidade dolorosa e desfavorável quando analisam seus resultados financeiros: vender mais já não significa necessariamente lucrar mais. Ter o cliente em seu balcão já deixou de ser garantia de mais lucros, o tempo passou na janela e só Carolina não viu. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação acumulada em doze meses alcançou 4,72% em maio de 2026, superando o teto da meta estabelecida pelo sistema de metas de inflação. O avanço dos preços foi impulsionado principalmente pelos grupos de alimentos e bebidas e habitação, com destaque para a energia elétrica residencial, que figurou entre ...

Valor de Uso Social ou Mercadoria? As Contradições da Relação entre Universidade e Setor Produtivo

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Valor de Uso Social ou Mercadoria? As Contradições da Relação entre Universidade e Setor Produtivo A relação entre a autonomia universitária e a sociedade civil (especialmente o setor produtivo como o comércio e a indústria) é um dos debates mais complexos na educação superior. Infelizmente, o mainstream das universidades tem se focado cada vez mais nesse segmento da sociedade ao longo dos anos, tornando invisível o serviço às classes menos favorecidas, mesmo que essa seja sempre a conversa fora dos campi no Brasil. A autonomia universitária é frequentemente vista no Brasil como um escudo de isolamento; a garantia de que a academia deve ser independente de pressões externas. Mas essa visão confunde autonomia com soberania ou isolamento. A universidade não é o fim, mas uma autarquia social que só funciona se não estiver em conflito com a sociedade civil. É justamente nesse meio-termo que se encontra um dos debates mais acalorados da educação superior atual entre o comércio e a indú...

Sobrevivendo aos prazeres urbanos

Sobrevivendo aos prazeres urbanos Muita gente tem dito que meus textos se baseiam em números e nem todos gostam de matemática, pois daí que comecei a escrever as crônicas feirenses para falar da urbanização, economia feirense, mas de um olhar de andarilho. Então, hoje eu te convido a um passeio, partindo de casa e experimentar alívios, alegrias, satisfações que a gente sente, mas damos pouco valor. Para muitos, o caos do trânsito e o cinza do concreto são as primeiras imagens que surgem à mente ao pensar nas Feira de Santana. No entanto, por trás da pressa cotidiana, esconde-se um turbilhão de estímulos e satisfações. Especialistas e entusiastas do urbanismo chamam esse fenômeno de "prazeres urbanos": um conjunto de experiências sensoriais, culturais e sociais que só ganham vida graças à densidade e à diversidade da cidade. Ao contrário do bem-estar proporcionado pelo isolamento na natureza, o prazer urbano se alimenta do coletivo, da conveniência e do movimento. Ele se man...