cronicas feirenses 1: Caminhando pelo Centro da Cidade
Crônicas Feirenses
Caminhando pelo Centro da Cidade
Segunda Feira sempre é um dia movimentado na cidade de Feira
de Santana, mas naquela manhã eu havia sido convidado pela Tv Subaé a fazer uma
fala em uma matéria sobre preços das hortaliças folhosas. Sempre que vou
demorar no centro, eu vou de aplicativo, pois desembolso ida e volta, cerca de
R$15,00. Deixar meu carro num estacionamento, pagaria no mínimo R$ 18,00, mais
gasolina, pneu, etc. Por outro lado, gosto de sempre que possível, conversar
com o motorista sobre sua vida sob plataforma. Tenho aprendido bastante com
essa galera. Qual é mano? Professor é quem tem mais de aprender.
Dito isto, fui avisado por telefone que a equipe iria demorar
uns 40 minutos, daí que sentei ali na praça da Bandeira e fiquei olhando o
movimento das pessoas. O vai e vem lento de quem tinha alguma coisa a resolver,
nada apressado, como gosta o feirense. Fui no Predileto e pedi uma vitamina de
frutas com beterraba, duas esfirras de carne, uma salada de frutas com sorvete.
Isto é um ritual que repito, desde que meu primeiro emprego na Zabelê, empresa
de aluguel de tratores de Vicente Quezado Leite, minha escola da vida
profissional. Ali eu tinha 15 anos de idade, tinha cabelos, e comprava roupas na
Mersan, Lupalina, Paes Mendonça. De repente, observando a área, não via mais
lojas de roupas, as Sapatarias Costa e Oliveira, haviam fechado as portas, e aí
comecei a olhar as roupas que as pessoas que iam e vinham, o que estavam
vestindo? Onde as pessoas estavam comprando suas roupas? Você pode não
acreditar, mas comecei a cantarolar o tostines: Não sei se você combina com a roupa,
ou a roupa com você combina, tostines vende mais por que é fresco ou é fresco
por que vende mais?
Até pouco tempo atrás eu tinha ainda alguns carnês da Mersan,
será que ainda alguém guarda? Mas aí eu passei a observar as roupas das
mulheres e dos homens, não tinham perfil de loja das que mencionei acima, sim
eram em sua maioria, roupas do Feiraguai, ou similares, vendidas em loja de
bairro, já observaram a quantidade de lojinhas, uma lojinha vende pouco, muitas
lojinhas vendem muito mais, ou como dizia Herbert Landgraf, um alemão que mexia
com suco concentrado de maracujá: uma galinha caga pouco e é titica, mas muitas
galinhas cagando é esterco, receita não operacional. Mas voltando, as roupas
que vestem as pessoas em Feira de Santana saem destas lojinhas, saem das plataformas,
e aí tremi, a grana que sai de Feira de Santana, por roupas vendidas em market
place, está sangrando a economia local.
Passe olhos novamente pela praça, encontrei a equipe da tv,
gravei a matéria, entrevista rápida, e ao me despedir, andei um pouco pela
Marechal, tomada por feirantes, as roupas no mesmo padrão, e ainda pude
constatar que a maioria das lojas físicas pertenciam a chineses, os feirenses
são empregados dos chineses, não encontrei no centro da cidade, nenhuma loja de
artigo de luxo. Continuei andando e enveredei pela Senhor dos Passos, o mesmo
padrão de roupas, não encontrei uma churrascaria a la carte, como anos antes
tínhamos de rodizio. Bateu uma saudade da Gralha Azul, andei mais um pouco e
saudei a resistência do Limão Drinks, argh, Feira não tem mais espaços para o
happy hour, aquele fim de tarde, degustando um abará/acarajé. A pressa toma
conta de quem mora longe.
Parei meus devaneios de fim de tarde, pois ainda eram 10
horas da manhã e estava caminhando em direção ao prédio da prefeitura,
solicitando o carro pelo aplicativo, assim eu ia observando a quantidade de
roupas de marca falsificadas, o feirense veste roupas falsificadas, calça tenis
falsificados, e ostenta legal. Nem venha me dizer que são os pobres, gente,
metida a rico, rico que também usa. Quem não usa?
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