A farsa do BRT


 Em 2014 começamos a questionar o projeto do BRT para Feira de Santana, e desde aquela época que alertávamos para a tragédia que seria para os cofres públicos, implantar um sistema com vias segregadas, onde existia um histórico de elevado índice de usuários utilizando a via pública. Um exemplo foi dado em relação a Avenida João Durval e a feirinha da Estação Nova. Impossível não visualizar acidentes futuros ali, sem contar que o uso do solo, seria afetado ainda pela busca incessante dos automóveis para estacionar ao redor, enquanto fariam suas compras. Fomos chamados de 'burros", "inimigos do progresso", "aves de rapina" e outros termos pejorativos. Aqui vale salientar, que não nos designaram por nomes pessoais, pois sabiam do tamanho do problema, mas isso já faz parte da burguesia local, destruir reputações para construir e implantar seus projetos megalomaníacos. 

Passados 10 anos do projeto inicial lá no governo de Tarciso Pimenta, passando por dois mandatos de Ronaldo e um de Colbert, eis que o prefeito vem e fala que a pandemia foi a grande culpada, por não termos um BRT funcionando. Ele colocou em recente entrevista que tudo se descontrolou a partir de 2020. Alegou que o sistema de transporte público municipal transportava 100 mil passageiros por dia e caiu para 30 e hoje não embarca mais que 50 mil pessoas diariamente. Sinto, e sinto mesmo, ter de discordar, pois este dado está fora da realidade. Em 2015, as duas empresas concessionarias começaram a operar com uma frota de 248 ônibus e assim acabavam de assinar uma concessão que lhes dava uma demanda de 2.432.683 passageiros por mês. Isto equivale a cerca de 81 mil passageiros por dia e jamais o sistema alcançou 100 mil por dia. quem deu essa informação ao prefeito mentiu despudoradamente, e deixou o alcaide em confronto com a verdade. 

Voltando ao BRT, ele se tornou piada nacional e até mesmo internacional, pois os responsáveis pelo projeto, são incapazes de assumir a inviabilidade técnica do BRT, e, assim depois da tragédia que é o Sistema de Transportes, temos em nossos olhos, a farsa do BRT. Caras e caros leitoras e leitores, um sistema de BRT sobrevive substancialmente de velocidade, basta ver a sua sigla, Bus Rapid Transit (Transporte Rápido por Ônibus). Para tanto precisa de vias segregadas e cobrança de tarifas dentro das estações, para que tudo corra rápido, ligeiro. Nem quero entrar no mérito da funcionalidade bestial do que roda em Feira de Santana, pois qualquer pessoa com um mínimo de razoabilidade, vai entender que ali não tem BRT em funcionamento e que essa cidade, tem um sistema de transporte caótico e com longas e tenebrosas esperas em pontos de ônibus. Se torna necessário revisar todas as ordens de serviços e refazer itinerários, redimensionar frota para atender a demanda, que foi toda dilatada a partir das construções de novas unidades residenciais, novos bairros. E, por fim, voltando BRT, dia de Sábado a tarde e domingos e feriados somente irá transportar vento, pois quase ninguém frequenta o centro da cidade nestes horários. Quanto ao sistema de transporte, como um todo, será preciso rever o funcionamento das linhas, aumentar o tempo de integração e, pasmem, renovar a frota, pois desde 2015 que aqui não aportou um ônibus zero quilometro. Em breve a frota começará a dar sinais de desgaste e as paradas serão maiores. 

As vans que atendem, ou deveriam atender a zona rural são motivos de queixas diárias da população e em pleno ano da graça de 2023, tem distritos que não possuem linhas regulares do sistema oficial de transportes. Sem linhas alimentadoras, nenhum sistema de transporte no mundo, sobrevive e o final será outra tragédia.

 

 


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