O envelhecer em Feira de Santana e o impacto social e econômico. Com base nos dados mais recentes do Censo 2022 do IBGE, Feira de Santana tem aproximadamente 79.500 moradores com 60 anos ou mais. Esse grupo representa 12,9% da população total do município, que é de 616.279 pessoas. Rapaz, é velho demais, velho que só a po##@, inclusive eu com meus 67 anos. Por onde você anda, esbarra nessa galera. Inclusive, cada vez mais, começamos a nos bater e muito com os centenários, aquela turma que soprou velinhas de mais de cem anos. O censo informou que 157 estavam ainda aqui, e chegando mais, a quantidade da galera de mais de 90 anos é enorme. De acordo com os dados detalhados do Censo 2022 do IBGE, Feira de Santana possui 2.409 pessoas na faixa etária entre 90 e 99 anos. Este grupo faz parte da parcela da população que os demógrafos chamam de "quarta idade" ou "idosos longevos". Veja alguns detalhes interessantes sobre esse grupo específico na cidade: Distribuição por Faixa: • 90 a 94 anos: 1.831 pessoas. • 95 a 99 anos: 578 pessoas. • 100 anos ou mais: 157 pessoas (os centenários). Assim como no restante do país, a "feminização da velhice" é muito clara aqui. Entre os moradores com mais de 90 anos, a grande maioria é composta por mulheres. Para se ter uma ideia, na faixa acima dos 90, existem quase três mulheres para cada homem. Eta que se criarem um remédio da juventude, a galera vai aprontar horrores. Por enquanto, esse grupo exige uma demanda maior de serviços de saúde domiciliar e geriatria especializada. Em Feira, o programa Melhor Em Casa (do Governo Federal em parceria com o município) deveria ser um dos principais suportes para quem tem dificuldade de locomoção nessa idade. Infelizmente, a tal responsabilidade fiscal, transmutada em austeridade, deixa este público aquém. Essas pessoas nasceram entre 1927 e 1936. Elas testemunharam transformações gigantescas em Feira de Santana, desde quando a cidade ainda tinha um perfil rural e as famosas feiras de gado eram o único motor econômico, até a chegada das grandes indústrias e rodovias. Elas viram a Getulio Vargas ser estendida além do entroncamento com a Maria Quitéria, viram as feirinhas se transformarem em feiras poderosas. Viram o Centro de Abastecimento ser implantado como solução e virar problema. Andaram de pau de arara, migraram para as kombis e hoje sofrem nos buzus. Embora o envelhecimento da população esteja acelerando, o índice de 12,9% de Feira de Santana ainda está um pouco abaixo da média do estado da Bahia, que é de 15,3%, ou seja, a galera ainda está pinotando aqui na cidade. Apesar de que a cidade pouco oferece a esta turma, gente são quase 80.000 pessoas. Não tem rede de apoio, o Centro de Convivencia Dona Zazinha Cerqueira atende apenas 1400 pessoas, em termos de acolhimento, A cidade mantém convênios com Instituições de Longa Permanência (ILPIs), como o Lar do Irmão Velho, o Dispensário Santana e a Associação Cristã do Brasil. Assim, pela quantidade dessa turma, tem muita gente dentro de casa sem diversão, a cidade precisa cuidar dessa patota (Sic). A grana é um impedimento, eu sei. A situação financeira dos idosos na cidade reflete a realidade do Nordeste brasileiro: A grande maioria vive de aposentadorias, pensões ou do BPC (Benefício de Prestação Continuada). O BPC é destinado a idosos acima de 65 anos com renda familiar por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo. No Brasil (e com reflexo direto em cidades como Feira), o rendimento médio de aposentadorias e pensões gira em torno de R$ 2.500. No entanto, uma parcela significativa da população idosa local sobrevive com apenas um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026, ajustado conforme o ano corrente). Muitos idosos em Feira de Santana são os principais mantenedores de suas casas, sustentando filhos e netos com seus benefícios fixos. De vez em quando e sempre um neto faz um bisneto. Se a gente passear pela Marechal Deodoro, Centro de Abastecimento, vamos encontrar feirantes e camelôs. Embora não existam dados isolados apenas para Feira de Santana sobre informalidade nesta faixa etária (já que o IBGE costuma divulgar esses recortes específicos por estado), os dados da PNAD Contínua de 2025/2026 e estudos recentes da Bahia indicam um cenário desafiador. No contexto regional e estadual, a informalidade atinge os idosos de forma muito mais intensa do que a população mais jovem: Na Bahia, a taxa geral de informalidade gira em torno de 52,8% (dados de 2025/2026), uma das maiores do país. A nível nacional, cerca de 55,7% dos idosos que trabalham estão na informalidade. Em Feira de Santana, por ser um polo comercial e de serviços com forte presença de feiras livres e comércio de rua, estima-se que esse número acompanhe ou supere a média estadual, podendo chegar a 60%. Entre idosos pretos e pardos (que compõem a maioria da população de Feira), a informalidade é ainda mais alta, atingindo 61,2%. Uma cidade que nasceu de uma feira, tem de ter idosos trabalhando nas feiras. Em Feira de Santana, a permanência de pessoas acima de 60 anos no mercado informal (vendas, serviços domésticos, pequenos reparos) ocorre principalmente por três fatores: 1. Complementação de Renda: Como vimos, muitos recebem apenas um salário mínimo, o que é insuficiente para cobrir gastos com saúde e moradia. 2. Baixa Escolaridade: Parte dessa geração não teve acesso a qualificação formal, o que restringe as oportunidades a bicos e ao comércio informal. 3. Barreiras no Mercado Formal: O preconceito etário (etarismo) dificulta a contratação de idosos com carteira assinada, empurrando-os para o trabalho por conta própria. Esses trabalhadores informais muitas vezes não contribuem para a Previdência, o que gera um ciclo de vulnerabilidade, pois dependem exclusivamente da saúde física para garantir o sustento diário. O número de idosos trabalhando com carteira assinada em Feira de Santana é pequeno em comparação ao total da população nessa faixa etária. Embora os dados exatos de 2026 para o município dependam de processamentos específicos do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), podemos estimar o cenário com base nas tendências atuais e dados do IBGE: Estimativa do Emprego Formal (60+) em Feira: • Taxa de Ocupação: Cerca de 25% (1 em cada 4) dos idosos em Feira de Santana continuam ativos no mercado de trabalho. Isso representa aproximadamente 20.000 pessoas. • Carteira Assinada: Desse grupo que trabalha, a maioria está na informalidade ou trabalha por conta própria. Apenas cerca de 20% a 25% dos idosos ocupados possuem carteira assinada. • Número Estimado: Estima-se que existam entre 4.000 e 5.000 idosos trabalhando com vínculo formal (CLT) na cidade. Os idosos com carteira assinada em Feira de Santana concentram-se principalmente em três setores: Serviços: Áreas de vigilância, portaria e zeladoria. Comércio: Lojas tradicionais do centro e supermercados. Administração Pública: Servidores municipais concursados que ainda não se aposentaram ou continuam na ativa. O baixo número de vínculos formais para quem tem mais de 60 anos deve-se a alguns fatores estruturais da cidade. Mais de 50% dos idosos ocupados na Bahia possuem apenas o ensino fundamental completo ou incompleto, o que dificulta o acesso a vagas formais que hoje exigem maior qualificação técnica. Aqui na cidade isso toma um rumo maior. Muitos idosos já aposentados preferem bicos informais para não "comprometer" o tempo ou evitar descontos previdenciários, focando apenas no complemento imediato da renda. Feira é uma cidade de comércio popular (como o Feiraguai e as feiras livres), onde a informalidade é naturalmente a regra, não a exceção. O rendimento médio de um idoso que trabalha formalmente é, em geral, 15% superior ao da média da população mais jovem, pois esses profissionais costumam ocupar cargos que exigem mais experiência ou possuem planos de carreira antigos. Em suma, o perfil demográfico de Feira de Santana revela uma cidade em acelerado processo de envelhecimento, onde a longevidade — simbolizada pelos mais de 2.400 idosos acima dos 90 anos — caminha lado a lado com desafios socioeconômicos profundos. A turma mais jovem precisa de empregos de qualidade que lhes garanta uma quarta idade mais tranquila, pois fica feio um jovem de até 30 anos depender de gente de mais de 90 anos. Embora o município ofereça centros de convivência e suporte assistencial, a realidade dessa população é marcada por uma forte dependência de benefícios previdenciários e uma alta taxa de informalidade, que muitas vezes ultrapassa os 60%. Esse cenário reforça a necessidade urgente de políticas públicas que não apenas garantam a sobrevivência financeira, mas que também promovam a inclusão digital, o combate ao etarismo no mercado formal e o acesso a uma saúde especializada, assegurando que o aumento da expectativa de vida dos feirenses seja acompanhado por uma efetiva qualidade de vida.
O envelhecer em Feira de Santana e o impacto social e econômico.
Com base nos dados mais recentes do Censo 2022 do IBGE, Feira
de Santana tem aproximadamente 79.500 moradores com 60 anos ou mais. Esse grupo
representa 12,9% da população total do município, que é de 616.279 pessoas.
Rapaz, é velho demais, velho que só a po##@, inclusive eu com meus 67 anos. Por
onde você anda, esbarra nessa galera. Inclusive, cada vez mais, começamos a nos
bater e muito com os centenários, aquela turma que soprou velinhas de mais de
cem anos. O censo informou que 157 estavam ainda aqui, e chegando mais, a
quantidade da galera de mais de 90 anos é enorme.
De acordo com os dados detalhados do Censo 2022 do IBGE,
Feira de Santana possui 2.409 pessoas na faixa etária entre 90 e 99 anos. Este
grupo faz parte da parcela da população que os demógrafos chamam de
"quarta idade" ou "idosos longevos". Veja alguns detalhes
interessantes sobre esse grupo específico na cidade:
Distribuição por Faixa:
- 90
a 94 anos: 1.831 pessoas.
- 95
a 99 anos: 578 pessoas.
- 100
anos ou mais: 157 pessoas (os centenários).
Assim como no restante do país, a "feminização da
velhice" é muito clara aqui. Entre os moradores com mais de 90 anos, a
grande maioria é composta por mulheres. Para se ter uma ideia, na faixa acima
dos 90, existem quase três mulheres para cada homem. Eta que se criarem um remédio
da juventude, a galera vai aprontar horrores.
Por enquanto, esse grupo exige uma demanda maior de serviços
de saúde domiciliar e geriatria especializada. Em Feira, o programa Melhor Em
Casa (do Governo Federal em parceria com o município) deveria ser um dos
principais suportes para quem tem dificuldade de locomoção nessa idade.
Infelizmente, a tal responsabilidade fiscal, transmutada em austeridade, deixa
este público aquém. Essas pessoas nasceram entre 1927 e 1936. Elas
testemunharam transformações gigantescas em Feira de Santana, desde quando a
cidade ainda tinha um perfil rural e as famosas feiras de gado eram o único
motor econômico, até a chegada das grandes indústrias e rodovias. Elas viram a
Getulio Vargas ser estendida além do entroncamento com a Maria Quitéria, viram
as feirinhas se transformarem em feiras poderosas. Viram o Centro de
Abastecimento ser implantado como solução e virar problema. Andaram de pau de
arara, migraram para as kombis e hoje sofrem nos buzus.
Embora o envelhecimento da população esteja acelerando, o
índice de 12,9% de Feira de Santana ainda está um pouco abaixo da média do
estado da Bahia, que é de 15,3%, ou seja, a galera ainda está pinotando aqui na
cidade. Apesar de que a cidade pouco oferece a esta turma, gente são quase
80.000 pessoas. Não tem rede de apoio, o Centro de Convivencia Dona Zazinha
Cerqueira atende apenas 1400 pessoas, em termos de acolhimento, A cidade mantém
convênios com Instituições de Longa Permanência (ILPIs), como o Lar do Irmão
Velho, o Dispensário Santana e a Associação Cristã do Brasil. Assim, pela
quantidade dessa turma, tem muita gente dentro de casa sem diversão, a cidade
precisa cuidar dessa patota (Sic).
A grana é um impedimento, eu sei. A situação financeira dos
idosos na cidade reflete a realidade do Nordeste brasileiro: A grande maioria
vive de aposentadorias, pensões ou do BPC (Benefício de Prestação Continuada).
O BPC é destinado a idosos acima de 65 anos com renda familiar por pessoa
inferior a 1/4 do salário mínimo. No Brasil (e com reflexo direto em cidades
como Feira), o rendimento médio de aposentadorias e pensões gira em torno de R$
2.500. No entanto, uma parcela significativa da população idosa local sobrevive
com apenas um salário mínimo (R$ 1.621,00 em 2026, ajustado conforme o ano
corrente).
Muitos idosos em Feira de Santana são os principais
mantenedores de suas casas, sustentando filhos e netos com seus benefícios
fixos. De vez em quando e sempre um neto faz um bisneto.
Se a gente passear pela Marechal Deodoro, Centro de
Abastecimento, vamos encontrar feirantes e camelôs. Embora não existam dados
isolados apenas para Feira de Santana sobre informalidade nesta faixa etária
(já que o IBGE costuma divulgar esses recortes específicos por estado), os
dados da PNAD Contínua de 2025/2026 e estudos recentes da Bahia indicam um
cenário desafiador. No contexto regional e estadual, a informalidade atinge os
idosos de forma muito mais intensa do que a população mais jovem: Na Bahia, a
taxa geral de informalidade gira em torno de 52,8% (dados de 2025/2026), uma
das maiores do país. A nível nacional, cerca de 55,7% dos idosos que trabalham
estão na informalidade. Em Feira de Santana, por ser um polo comercial e de
serviços com forte presença de feiras livres e comércio de rua, estima-se que
esse número acompanhe ou supere a média estadual, podendo chegar a 60%. Entre
idosos pretos e pardos (que compõem a maioria da população de Feira), a
informalidade é ainda mais alta, atingindo 61,2%. Uma cidade que nasceu de uma
feira, tem de ter idosos trabalhando nas feiras.
Em Feira de Santana, a permanência de pessoas acima de 60
anos no mercado informal (vendas, serviços domésticos, pequenos reparos) ocorre
principalmente por três fatores:
- Complementação
de Renda: Como vimos, muitos recebem apenas um salário mínimo, o que é
insuficiente para cobrir gastos com saúde e moradia.
- Baixa
Escolaridade: Parte dessa geração não teve acesso a qualificação formal, o
que restringe as oportunidades a bicos e ao comércio informal.
- Barreiras
no Mercado Formal: O preconceito etário (etarismo) dificulta a contratação
de idosos com carteira assinada, empurrando-os para o trabalho por conta
própria.
Esses trabalhadores informais muitas vezes não contribuem
para a Previdência, o que gera um ciclo de vulnerabilidade, pois dependem
exclusivamente da saúde física para garantir o sustento diário. O número de
idosos trabalhando com carteira assinada em Feira de Santana é pequeno em
comparação ao total da população nessa faixa etária. Embora os dados exatos de
2026 para o município dependam de processamentos específicos do CAGED (Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados), podemos estimar o cenário com base nas
tendências atuais e dados do IBGE:
Estimativa do Emprego Formal (60+) em
Feira:
- Taxa
de Ocupação: Cerca de 25% (1 em cada 4) dos idosos em Feira de Santana
continuam ativos no mercado de trabalho. Isso representa aproximadamente 20.000
pessoas.
- Carteira
Assinada: Desse grupo que trabalha, a maioria está na informalidade ou
trabalha por conta própria. Apenas cerca de 20% a 25% dos idosos ocupados
possuem carteira assinada.
- Número
Estimado: Estima-se que existam entre 4.000 e 5.000 idosos trabalhando com
vínculo formal (CLT) na cidade.
Os idosos com carteira assinada em
Feira de Santana concentram-se principalmente em três setores: Serviços: Áreas
de vigilância, portaria e zeladoria. Comércio:
Lojas tradicionais do centro e supermercados. Administração Pública: Servidores
municipais concursados que ainda não se aposentaram ou continuam na ativa.
O baixo número de vínculos formais
para quem tem mais de 60 anos deve-se a alguns fatores estruturais da cidade. Mais
de 50% dos idosos ocupados na Bahia possuem apenas o ensino fundamental
completo ou incompleto, o que dificulta o acesso a vagas formais que hoje
exigem maior qualificação técnica. Aqui na cidade isso toma um rumo maior. Muitos
idosos já aposentados preferem bicos informais para não "comprometer"
o tempo ou evitar descontos previdenciários, focando apenas no complemento
imediato da renda. Feira é uma cidade de comércio popular (como o Feiraguai e
as feiras livres), onde a informalidade é naturalmente a regra, não a exceção. O
rendimento médio de um idoso que trabalha formalmente é, em geral, 15% superior
ao da média da população mais jovem, pois esses profissionais costumam ocupar
cargos que exigem mais experiência ou possuem planos de carreira antigos.
Em suma, o perfil demográfico de
Feira de Santana revela uma cidade em acelerado processo de envelhecimento,
onde a longevidade — simbolizada pelos mais de 2.400 idosos acima dos 90 anos —
caminha lado a lado com desafios socioeconômicos profundos. A turma mais jovem precisa de empregos de
qualidade que lhes garanta uma quarta idade mais tranquila, pois fica feio um
jovem de até 30 anos depender de gente de mais de 90 anos. Embora o município
ofereça centros de convivência e suporte assistencial, a realidade dessa
população é marcada por uma forte dependência de benefícios previdenciários e
uma alta taxa de informalidade, que muitas vezes ultrapassa os 60%. Esse
cenário reforça a necessidade urgente de políticas públicas que não apenas
garantam a sobrevivência financeira, mas que também promovam a inclusão
digital, o combate ao etarismo no mercado formal e o acesso a uma saúde
especializada, assegurando que o aumento da expectativa de vida dos feirenses
seja acompanhado por uma efetiva qualidade de vida.
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