O que eu faria na Praça do Tropeiro se eu fosse prefeito?
O
que eu faria na Praça do Tropeiro se eu fosse prefeito?
A
pergunta que dá título a este texto surgiu um dia de semana que o jornalista Jânio
Rego convidou a mim e o doublé de Economista e Jornalista André Pomponet, a
visitarmos o samba de roda na Praça do Tropeiro. Jânio nos perguntou e ficamos um
olhando para o outro, sem ter a resposta, mesmo sabendo qual seria, ou pelo
menos, o caminho para chegar a mesma.
O
tempo passou e fui deixando para depois, outras demandas se colocavam à minha
frente, afinal de contas, eu estava passando e ainda estou por uma transição que
mais parece uma regressão, a voltar a cuidar da carreira acadêmica, tendo que
ministrar uma nova disciplina na UEFS, pesquisar sobre transição energética e
seu impacto no mundo dos transportes, enfim, a vida me tirando a militância política
de linha de frente e me colocando num papel que sempre relutei em assumir, o de
intelectual. Sempre morri de medo de perder a essência de luta das ruas, mas eu
precisava escrever sobre a Praça do Tropeiro, devia isso a Jânio e devia ainda
mais aos frequentadores e comerciantes do local, aos quais fiz amizades que
certamente irão durar por toda vida. Ouvir deles o descaso dos governos
municipais, nem um olhar, mesmo que seja de falsete, nem isso, os candidatos
nem vão lá. Esgotos a céu aberto, lixo exposto, aquilo contempla uma cena de
abandono, se não fosse por um fato crucial, a alegria que as pessoas ali se
entregam à musica, os sorrisos nos rostos, os abraços a quem está ali pela
primeira vez. São personagens que desfilam pelas rodas de samba, girando seus
corpos em movimentos sincronizados, como a dizer para a vida, chegue devagar,
estou a me divertir. São pessoas, em sua maioria, de baixa renda, Programas Sociais
estão presentes em suas conversas, embebidas pela cerveja gelada de marca
barata. Mas é para a cidade de Feira de Santana, um ambiente violento, puxa vida,
onde não é? Se mata mais nas casas de entretenimento da Fraga Maia que na Praça
do Tropeiro, mas o pobre sempre é o culpado pela violência.
Foi
nessa toada que em Salvador eu conheci o Samba de São Lazaro, a mesma alegria,
o mesmo samba e com pitadas de mais tipos de samba, basta olhar o Instagram, do
tevinosaolazaro e samba_sao_lazaro. Ali a gente tem a ideia do potencial muito
maior da praça do tropeiro em Feira de Santana.
A
começar pela relação Tropeiro e Feira. O nome da praça homenageia a figura
histórica do tropeiro, responsável pelo transporte de mercadorias e gado
através das regiões e com passagem obrigatória pela Santana dos Olhos D’agua.
Os tropeiros desempenharam
um papel crucial no desenvolvimento econômico e na integração da cidade,
especialmente nas regiões mais remotas e de difícil acesso. Eles eram
responsáveis pelo transporte de mercadorias, principalmente gado, entre
diferentes locais, utilizando trilhas e estradas precárias.
Em relação a Feira de Santana, historicamente,
a cidade desempenhou um papel importante como um ponto estratégico de encontro
e comércio para os tropeiros que viajavam entre o sertão e o litoral. Devido à
sua localização geográfica privilegiada, Feira de Santana se tornou um
importante centro de comércio e abastecimento para as regiões circunvizinhas.
Durante os séculos XVIII e XIX, a cidade
experimentou um intenso fluxo de tropeiros, que utilizavam Feira de Santana
como um ponto de parada para descanso, troca de mercadorias e interação social.
Essa atividade contribuiu significativamente para o crescimento econômico e o
desenvolvimento cultural da região.
Além do comércio, os tropeiros também
influenciaram a culinária e a cultura local, deixando um legado que ainda é
visível na região. Feira de Santana preserva essa herança histórica através de
eventos, monumentos e tradições que celebram a contribuição dos tropeiros para
a formação da identidade local. Mas, em que pese a homenagem um dia feita a
este personagem, a praça se encontra atualmente semi abandonada pelo poder
público, pedindo socorro mesmo.
Daí que, se eu fosse prefeito, iria remodelar
todo equipamento, melhoraria o nível das barracas, limpeza, iluminação pública,
água e saneamento e fortaleceria os artistas locais e chamaria mais artistas a
fazerem suas programações naquele espaço. Se você ainda não foi ali, recomendo
que apareça, e pensemos juntos uma solução inovadora que contribua para a perpetuação
da cultura feirense. Que o poder público descubra o potencial turístico da
praça, ouça quem ali luta para ganhar a vida. Devemos isso aos ancestrais
tropeiros que nos precederam.
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