Por que o dólar está alto? Vamos raciocinar juntos?

 

Por que o dólar está alto? Vamos raciocinar juntos?

 

Uma das coisas que mais gosto de repetir é uma máxima, evite usar a Economia para atingir seu adversário, pois o que você fala hoje, poderá ser usado contra você num futuro as vezes, nem tão remoto.

Nos últimos dias a moeda americana tem sido colocada em um patamar elevado, cotada a cima de R$6,00. Tem gente esperneando, xingando e tem gente sorrindo. Como assim? Os importadores estão desesperados, pois estão precisando de mais reais para pagar suas compras, e fazendo contas de como repassar ao preço final o custo da mercadoria importada para revenda. Por outro lado, os exportadores estão mais que felizes, pois estarão recebendo mais dólares por suas vendas ao exterior. Assim é a vida no Brasil, tão dependente do mercado externo. Essa dependência está relacionada à sua inserção na economia global, dada sua estrutura econômica marcada por elevada participação no mercado de commodities, sensibilidade ao mercado externo e características do mercado financeiro. A taxa de cambio impacta diretamente a competividade dos produtos brasileiros no exterior, estimulando as exportações, mas acontece o inverso, pois como disse acima, as importações ficam mais caras e somos uma economia muito dependente. Mas de quem é a culpa?

O órgão responsável pelo controle da taxa cambial é o Banco Central, administrado pelo senhor Roberto Campo Neto, ele que tem a chave de intervir no mercado, evitando que ataques especulativos aconteçam, desvalorizando, por conseguinte, a nossa moeda. No governo anterior, o Banco Central interviu por 127 vezes para regular o mercado, enquanto que no governo atual em quase dois anos, interviu apenas uma vez, deixando que o mercado flutue livremente, onde as forças de oferta e demanda atuam em movimentos contraditórios. Daí que temos ações externas e internas pressionando o câmbio, sendo que no momento o Banco Central não cumpriu seu papel de forma adequada, isso certamente, vai pesar na inflação impactando o custo do crédito, o investimento e o crescimento econômico que podem ser afetados.

Por outro lado, existem os fatores externos, afinal o Brasil possui significativa exposição a fluxos de capitais estrangeiros, seja por meio de investimentos diretos, como por exemplo a implantação de uma fábrica no Brasil, por intermédio do capital estrangeiro, seja por capitais especulativos.  Manipular papeis na bolsa e superestimar o valor do dólar para ganharem ainda mais, é a razão pela qual existem. Porém, esse tipo de ação no Brasil se torna ainda mais fácil, em decorrência de uma característica, a qual os governos não conseguem mudar significativamente: a concentração de renda e riquezas.

Para que você entenda melhor este movimento, pense em uma cidade com mais de 600 mil habitantes no interior da Bahia. As redes de postos de combustíveis são em numero menor, e conseguem facilmente controlar o preço ofertado nas bombas, sacou? Se ligou? Pois deixa isso quieto e vamos voltar ao câmbio. Como são poucos os que controlam o mercado cambial no Brasil, lembrando que o próprio presidente do Banco Central tem dólares em paraísos fiscais, ou seja, o cara toma conta de um açougue e compra carne nas mãos da concorrência., mais uma meia dúzia de doleiros, sabidos que ao notar que empresas que produzem e vendem, tem boletos a paga rem dólar, guardam as moedas e ficam observando o desespero dos empresários, e isso faz o preço subir. Geralmente, isso ocorre em novembro, época que se pagam as compras de mercadorias para o período natalino, Iphones são desejados e ficam mais caros, por exemplo. Ainda tem a galera do Agronegócio que detém reservas cambiais, pois lucram com o dólar em alta e produzem movimentos especulativos, imagina só, um presidente do Banco Central especulador, uns fazendeiros que produzem a base de subsídios. E a gente aqui no andar de baixo se lascando duas vezes. Primeiro, porque financiamos com dinheiro público a produção, depois porque pagamos o custo especulativo na forma de inflação sobre os produtos que consumimos no Brasil. E, ainda colocam a gente para brigarmos. Hoje no almoço, em um restaurante, um sujeito xingava o governo federal pela alta do dólar, pobre coitado, servindo de massa de manobra, mas para não dizer que não falei das flores, o Governo Lula se elegeu e até agora nada fez em termos de Reforma Agrária e nem Reforma Urbana, pelo contrário, fica flertando com o perigo, acenando com palavras carinhosas para estes sanguessugas do nosso bem estar social. A bancada do governo no Congresso atua de forma complacente, quando precisamos de embates que nos aqueçam para a luta por uma redução das desigualdades, fenômeno que o Governo Lula nem tocou, pelo contrário, age como gerente da meia dúzia que nos fazem sofrer.  

 

 

 

 

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