O ENVELHECER EM FEIRA DE SANTANA E O IMPACTO SOCIAL E ECONOMICO. PARTE 3

O ENVELHECER EM FEIRA DE SANTANA E O IMPACTO SOCIAL E ECONOMICO. PARTE 3 Ficar apontando os problemas e não apresentar soluções é algo estéril. Eu gosto de dissecar o problema e, em seguida apontar os caminhos das soluções. Para incentivar a atividade econômica voltada ao público idoso em Feira de Santana, a "Economia Prateada", é preciso enxergar o idoso não apenas como um beneficiário do INSS, mas como um consumidor exigente e um agente ativo. Aqui estão as estratégias principais para movimentar esse setor na cidade: 1. Adaptação do Comércio e Serviços Feira de Santana é um polo comercial natural. O incentivo começa na infraestrutura: • Selo "Amigo do Idoso": A prefeitura ou a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) podem criar certificações para estabelecimentos que ofereçam acessibilidade total, iluminação adequada, locais de descanso e atendimento prioritário humanizado. • Capacitação em Atendimento: Treinar equipes para lidar com as necessidades desse público (paciência, clareza na fala, auxílio com tecnologias) aumenta drasticamente a fidelização. Estas implementações alavancariam as vendas para este setor. Por acaso alguém aí tem paciência de conversar com um impaciente idoso? Parabéns se consegue ouvir toda a história de uma vida, dos filhos, dos netos. E aquela dificuldade de usar o celular, tem de ter alguém preparado para convencer que não vai roubar a foto da netinha fofa. E, pelo amor de Deus, não meta gíria na conversa, vovô é barril pode ser confundido com gordofobia. Depois não digam que não avisei. 2. Fomento ao Empreendedorismo Sênior Muitos idosos em Feira possuem expertise técnica (ex-comerciantes, artesãos, mecânicos). • Linhas de Crédito Específicas: Bancos e agências de fomento locais podem criar microcrédito para quem tem 60+ e deseja abrir ou formalizar um pequeno negócio. • Mentorias Intergeracionais: Programas que unem jovens empreendedores (com domínio tecnológico) a idosos (com experiência de mercado), criando uma troca de conhecimento valiosa. Eles precisam de tão pouco que a própria prefeitura pode implantar essas ações. Seria uma geração de empregos para jovens e idosos. Que tal Vovó e netinha empreendendo? Nunca é impossível sonhar e eu sonho este sonho. Nas diversas comunidade tem idosos e idosas com uma baita expertise, e moleques jovens com muito conhecimento tecnológico. Basta juntar e lucrar. 3. Turismo e Lazer Regional O potencial de Feira como "entroncamento" pode ser explorado para o lazer: • Turismo Rural e de Experiência: Incentivar fazendas na região (como nos distritos de Humildes ou Maria Quitéria) a criarem pacotes de "Day Use" focados em idosos, com foco em gastronomia local e conforto. • Eventos Culturais Matinais: Bailes, feiras de artesanato e eventos culturais realizados durante o dia (em horários de maior segurança e facilidade de transporte) movimentam o setor de eventos e alimentação. Eu já postei aqui no Blog sobre a viabilidade econômica de se implantar o Turismo Rural em Feira de Santana, a turma da Economia Prateada pode muito bem se meter nesse negócio e contribuir com suas experiencias e vivencias, imagina um vaqueiro contando suas histórias ao som do samba de roda. Falta apenas boa vontade. 4. O Papel das Políticas Públicas Incentivos fiscais para empresas que mantêm programas de contratação de pessoas acima de 60 anos são fundamentais. Isso mantém o idoso com renda disponível, o que retroalimenta o comércio da cidade. Ponto de Atenção: Em Feira, o transporte público e a pavimentação das calçadas são os maiores gargalos. Melhorar a mobilidade urbana é, indiretamente, o maior incentivo econômico possível para esse público circular e consumir. Em Feira de Santana, o órgão responsável em tocas as políticas públicas é o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI). Ele é um órgão essencial para quem deseja incentivar a economia prateada ou fiscalizar políticas públicas, pois funciona como o canal oficial entre a sociedade civil e a prefeitura. Se funciona ou não, lembra dos 79.500 idos em 2022? Poderão ser em torno de 200.000 em 2030, não dá para ficar tomando cafezinho e não deliberar nada. Ele é um órgão deliberativo e fiscalizador. Isso significa que ele ajuda a decidir onde as verbas para os idosos devem ser aplicadas e acompanha se as leis (como o Estatuto do Idoso) estão sendo cumpridas na cidade. Enquanto isso o mercado da Economia Prateada está em pleno crescimento. Vocês já viram a quantidade de farmácias especializadas em medicamentos genéricos na cidade? E os cuidados com estética para essa turma? É um tal de creme para pele, tinturas de cabelos, matriculas em academias, caminhadas pelas avenidas. O público da terceira e quarta idade está presente na cena feirense. Não se faz tão presente em show teatrais e musicais, porque se insiste em ofertar este serviço a noite. Gente idosa não funciona bem a noite, dorme e alguns roncam. Montem espetáculos matinais e vespertinos. Eu, as vezes quero ir assistir uma peça e não tenho saco para fica até 23: 00 esperando um artista vir cantar. Enfim, uma vida começa aos 60+, não é uma vida que fazemos sexo em cima de um ventilador de teto em alta rotação, sexo selvagem, mas essa galera cada vez mais faz sexo, viva o tadalafila, outro produto para economia prateada. Mas a cidade tem de ser mais receptiva a estes consumidores. O centro desta cidade não tem 20 vagas para 60+. Essa população é visível para arrancar os direitos à aposentadoria, mas não tem direitos nem a uma placa digna de estacionamento. Sim, pode contar quando estiver circulando pelo centro. As vagas se concentram na Conselheiro Franco em frente aos bancos. Na Avenida Senhor dos Passos, não tem 5 vagas. Lembra que são milhares de idosos?

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